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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Do distanciamento

   
”Uma pessoa, quando está longe, vive coisas que não te comunica, e tu, aqui, vive coisas que não a comunica. Então, vocês vão se distanciando e, quando vocês se encontrarem, vocês vão se falar assim: oi, tudo bom e tal, como é que vão as coisas? E aí ele vai te falar, por cima, de tudo que ele viveu, e, não sei, vai ser uma proximidade distante. Não adianta, no momento que as pessoas se afastam, elas estão irremediavelmente perdidas uma da outra.”
 
(Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Do necessário



 

- Então não o ama mais?

- Amo. Só guardei isso num cofre. E tranquei. E esqueci a senha. Não porque quis. Foi preciso.




(Caio Fernando Abreu)


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Vai passar (!?)



Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? 

O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. 

Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim – nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.

Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente – e não importa – essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.

Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás – aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.

Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:

- … mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca…

(Caio Fernando Abreu)



P.S: É longo, mas conveniente. 1 mês e 10 dias. Bem menos do que previa. Agora falta passar aqui dentro de mim.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011




Aos caminhos
entrego nosso encontro.



(Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 2 de agosto de 2011


Nenhuma luta haverá jamais de me embrutecer, 
   nenhum cotidiano será tão pesado a ponto de me esmagar, 
       nenhuma carga me fará baixar a cabeça.





Quero ser diferente.
       
  Eu sou. 
           
          E se não for, me farei


(Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 26 de julho de 2011

 
 
 
Pare de correr atrás, pare de se importar. Seja indisponível, desapegue. Pessoas gostam do que não têm.
 
  
 
(Caio Fernando Abreu) 


quarta-feira, 6 de julho de 2011





"A primavera, o vento, esperei tanto por essa margarida


                                                  e veja só. Atrofiada. Aleijada."






(CFA)


P.S.: Esperando pintar uma jamanta na esquina...

terça-feira, 5 de julho de 2011



"Você vai me abandonar e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto."

(Caio Fernando Abreu)


P.S.: Tem coisas que fogem de qqr entendimento.. Bem se sabia..

segunda-feira, 27 de junho de 2011

"Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra 
curar outra pessoa de todos os golpes,
até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando...."



(Caio Fernando Abreu)


Encontrei em http://conceicaopaiva.blogspot.com/search?updated-max=2011-05-18T14%3A16%3A00-03%3A00&max-results=7

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim? É tão pouco. Penso em você principalmente como a minha possibilidade de paz — a única que pintou até agora, “nesta minha vida de retinas fatigadas”. E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito.
Tô morando, trabalhando, estudando e amando. Esses são os quatro foles da minha vida, no momento, e sobre cada um deles eu teria milhares de páginas a preencher. Sei lá, menina, tá tudo tão legal — e um legal tão batalhado, um legal merecido, de costas e pernas doendo, mas coração tranqüilo."

(Caio Fernando Abreu)



P.S.: tempos sem escrever nem aparecer por aqui... hj o que me define é isso.

quarta-feira, 9 de junho de 2010



- Você tem um cigarro?
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também, mas queria uma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu.


(Caio Fernando Abreu)



P.S.: Pelo reencontro!

sexta-feira, 28 de maio de 2010


Estou te querendo muito bem, neste minuto.

Tinha vontade que você estivesse aqui

e eu pudesse te mostrar muitas coisas,

grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas.

Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz.

Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé.

Mesmo que a gente se perca, não importa.

Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro.

Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.



(Caio Fernando Abreu)