terça-feira, 30 de março de 2010



(...)


O amor é essa força incontida,


Desarruma a cama e a vida


Nos fere, maltrata e seduz...


(...)



(Vinícius de Moraes e Toquinho in Deixa Acontecer)

segunda-feira, 29 de março de 2010


"Não te acorrentes ao que não vai voltar"


diz ela, provocando ao mesmo tempo nosso desejo e nosso medo.

Medo que costuma nos paralisar diante da decisão crucial: viver ou deixar pra mais tarde.

O poeta espalmaria sua mão direita nas nossas costas (a outra estaria segurando o copo)

e diria: VAI.




(Martha Medeiros in Doidas e Santas - sobre o Poetinha)

domingo, 28 de março de 2010


No dia de hoje não poderia deixar de ser registrado aqui uma lembrança.
A única certeza é que não é só no dia 27 de março que és lembrado, escutado, adorado, cultivado em nossas memórias e corações que nunca mais serão os mesmos depois de ti...
Renato Russo.. eternamente.
"Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Mas um dia eu consigo existir
e vou voar pelo caminho mais bonito.."
(Renato Russo in Clarisse)

sexta-feira, 26 de março de 2010

A quem interessar possa


Há tempos estou para lhe falar algumas coisas. Tudo tem ficado muito confuso, cada vez mais sinto que você me alcança menos e acho que esclarecer algumas coisas pode ajudar. Você diz que me ama, mas talvez esteja enganado. O amor compreende, e o amor só ama de verdade aquilo que o completa. Talvez você ame o que você é quando estou por perto. Talvez você ame apenas a ideia que tem de mim, e isso não sou eu. Isso é você querendo que eu caiba nos seus anseios, nos seus desejos. Vê? isso é você amando a si mesmo. Essa é a soma das suas perspectivas, que muitas vezes não condiz com o real. Nesse caso, não tendo eu outra alternativa além de ser o que eu sou, a você restam duas opções: me ame, ou me deixe. Me queira com tudo que eu tenho de bom e de ruim, com todas as idiossincrasias e as pequeninas coisas que às vezes você nem considera correto. Entenda que eu não escolhi e nem tenho culpa de ser cavalo selvagem: o fato de você conseguir cavalgar comigo depende unicamente da sua destreza. Entenda que eu sou como um gato, variável, inconstante, mas sempre honesto: uma vez que sabe lidar com ele é garantia de carinho e apego eterno. Caso contrário, arranhões e comportamento arredio são inevitáveis. Caso contrário, se prepare para me ver fugir ou te ignorar. Quem quer conviver com bichos selvagens, deve estar preparados para as intempéries. No mínimo existe a garantia de surpresa e nenhuma previsibilidade, nunca se sabe o que pode acontecer. Pra uns isso pode parecer desesperador, para outros é apenas imensamente emocionante. é sempre seu direito botar na balança e decidir se quer viver assim na corda bamba, numa aventura sem roteiro pré-estabelecido. Não tome por pretensiosa por falar desse jeito sobre mim mesma. É apenas uma tentativa de que eu e você descubramos se existe realmente algum laço real, ou se ele é feito de filó. Decifra-me ou te devoro. Sem dó nem piedade.



(Pitty in Pitty O Boteco)



Tuas palavras me traduzem...

Achei isso aqui: www.pitty.com.br/blog.php

quinta-feira, 25 de março de 2010



COISAS



Às vezes eu fecho os meus olhos e ouvidos
e as coisas parecem perder o sentido
escuto as pessoas falando ao redor
(e os meus pensamentos que eu já sei de cor)
qualquer novidade, a mais quente da praça
e o tradicional, igualmente sem graça
os velhos costumes, as novas manias
as vozes, às vezes, parecem vazias
o saco tá cheio, tá fraco, cansado
escuto as pessoas falando ao meu lado
a televisão, as notícias de sempre
que querem que eu saiba, que querem que eu lembre
mentiras, verdades, são tão parecidas
azares e sorte, a morte e as vidas
às vezes as coisas parecem perder
o sentido e a razão, e a razão de ser
tudo perde o sentido e a graça e o gosto
às vezes as coisas parecem sem rosto
são coisas da vida, da vida de coisas
de coisas pequenas que a gente atropela
as coisas da rua, do ar e das casas
as cores das coisas na nossa janela
às vezes eu abro meus olhos e ouvidos
e as coisas parecem fazer mais sentido
e a cor aparece e o céu me colore
querendo que eu ria, querendo que eu chore
eu moro nas coisas, na casa das coisas
das coisas pequenas que a gente ignora
das coisas da lua, do mar e das asas
das coisas de sempre, do hoje, de agora.



(Gabriel O Pensador in Diário Noturno)



Gente, muito mais que um mero cantor, Gabriel é um Pensador, um ser que escreve com a alma e o coração... Curtam suas obras.. Diário Noturno e Um garoto chamado Rorbeto.

Não vão se arrepender...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Mulheres do Topo da Árvore


As Melhores Mulheres pertencem aos homens mais atrevidos. Mulheres são como maçãs em árvores.

As melhores estão no topo.

Os homens não querem alcanças essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegas as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.

Assim, as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando, na verdade, ELES estão errados...

Elas têm que esperar um pouco mais para o homem certo chegar. Aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.



(Machado de Assis)
Dedicado à Daii :D
pelas longas e agradáveis conversas..

segunda-feira, 22 de março de 2010

O que quer uma mulher


Um bebê nasce. O médico anuncia: é uma menina! A mãe da criança, então, se põe a sonhar com o dia que sua princesinha terá um namorado de olhos verdes e se casará com ele, vivendo feliz para sempre. A garotinha ainda nem mamou e já está condenada a dilacerar corações. Laçarotes, babados, contos de fadas: toda mulher carrega a síndrome de Walt Disney.
Até as mais modernas e cosmopolitas têm um sonho secreto de encontrar um príncipe encantado. Como não existe um Antonio Banderas para todas, nos conformamos com analistas de sistemas, gerentes de marketing, engenheiros mecânicos. Ou mecânicos de oficina mesmo, a situação não anda fácil. Serão eles desprezíveis? Que nada. São gentis, nos ajudam com as crianças, dão um duro danado no trabalho e têm o maior prazer em nos levar pra jantar. São príncipes à sua maneira, e nós, cinderelas improvisadas, dizemos sim! Sim! Sim! Diante do altar. Mas lá no fundo a carência existencial herdada no berço jamais será preenchida.
Queremos ser resgatadas da torre do castelo. Queremos que o nosso pretendente enfrente dragões, bruxas, lobos selvagens. Queremos que ele sofra, que vare a noite atrás de nós, que faça tudo o que o José Mayer, o Marcelo Novaes e o Rodrigo Santoro fazem nas novelas. Queremos ouvir "eu te amo" só no último capítulo, de preferência num saguão de aeroporto, quando ele chegará a tempo de nos impedir de embarcar.
O amor da vida real, no entanto, é bem menos arrebatador. "Eu te amo" virou uma frase tão romântica quanto "me passa o açúcar". Entre casais, é mais fácil ouvir "te amo" ao encerrar uma ligação telefônica do que ao vivo e a cores. E fazem isso depois de terem se xingado por meia-hora. "Você vai chegar tarde de novo? Tenha a santa paciência, o que é que você tanto faz nesse escritório? Ontem foi a mesma coisa, que inferno! Eu é que não vou preparar o jantar pra você às dez da noite, te vira. Tchau, também te amo!" E batem o telefone, possessos.
Sim, sabemos que a vida real não combina com cenas hollywoodianas. Sabemos que há apenas meia dúzia de castelos no mundo, quase todos abertos à visitação de turistas. Sabemos que os príncipes, hoje, andam meio carecas, usam óculos e cultivam uma barriguinha de chope. Não são heróicos nem usam capa e espada, mas ao menos são de carne e osso, e a maioria tentaria nos resgatar de um prédio em chamas, caso a escada magirus alcançasse nosso andar. Não é nada, não é nada, mas já é alguma coisa.
Dificilmente um homem consegue corresponder à expectativa de uma mulher, mas vê-los tentar é comovente. Alguns mandam flores, reservam quartos em hotéizinhos secretos, surpreendem com presentes, passagens aéreas, convites inusitados. São inteligentes, charmosos, ousados, corajosos, batalhadores. Disputam nosso amor como se estivessem numa guerra, e pra quê? Tudo o que recebem em troca é uma mulher que não pára de olhar pela janela, suspirando por algo que nem ela sabe direito o que é. Perdoem esse nosso desvio cultural rapazes, nenhuma mulher se sente amada o suficiente.


(Martha Medeiros in Trem Bala)